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📉 Por que não consigo empréstimo a juros menores?

📰 THE WEEKLY MATH #63
Como os bancos sabem se você vai pagar seu empréstimo?

🏦 João estava animado. Depois de meses planejando, finalmente decidiu abrir seu próprio negócio.
Precisava de um empréstimo para começar e, com um salário estável e nome limpo, achou que não teria problemas.
Foi ao banco, conversou com o gerente e preencheu os formulários. Mas a resposta veio rápida: crédito negado.
Por quê? Ele nunca atrasou uma conta sequer.
Ainda assim, o sistema do banco determinou que emprestar dinheiro para ele era arriscado.
Mas essa decisão não foi tomada por uma pessoa – foi um cálculo matemático.
A MATEMÁTICA DO RISCO
Os bancos não podem se dar ao luxo de confiar apenas na intuição. Eles precisam garantir que o dinheiro emprestado será devolvido, ou o prejuízo pode ser enorme.
Em 2008, por exemplo, a crise financeira global foi causada, em parte, por empréstimos concedidos a clientes que não tinham condições de pagar.
Bancos como o Lehman Brothers faliram, e gigantes como o Citibank e o Bank of America precisaram de resgates bilionários.
Para evitar esse tipo de problema, instituições financeiras adotam modelos matemáticos sofisticados para prever o risco de inadimplência.
O score de crédito é um desses modelos.
Ele condensa em um único número a confiabilidade financeira de uma pessoa.
Quanto maior o score, menor o risco. Mas de onde vem esse número?
A fórmula usada para calcular a probabilidade de inadimplência vem da Regressão Logística, um modelo estatístico que estima a chance de um evento acontecer.
No caso dos bancos, esse evento é um cliente deixar de pagar.
A equação é a seguinte:

Onde:
X₁ , X₂ , ... representam fatores como histórico de pagamento, renda, idade e nível de endividamento.
Os coeficientes β definem o peso de cada variável no cálculo.
Se um cliente tem um histórico impecável de pagamentos e uma renda estável, a equação pode prever que sua chance de inadimplência é inferior a 5%. Já para alguém com dívidas acumuladas e atrasos frequentes, esse risco pode subir para 40% ou mais.
O CASO DE JOÃO
No caso do João, o problema pode ter sido a falta de histórico de crédito.
Ele nunca pegou um empréstimo antes, e sem dados para prever seu comportamento, o modelo pode ter classificado ele como um risco maior do que realmente era.
POR QUE A TAXA DE JUROS MUDA DE PESSOA PARA PESSOA?
Mesmo quando um banco aprova um empréstimo, ele precisa se proteger.
Para isso, ajusta a taxa de juros conforme o risco identificado.
Empresas de cartão de crédito fazem isso o tempo todo.
Clientes com bom histórico recebem taxas mais baixas, enquanto aqueles com maior risco pagam juros exorbitantes.
No Brasil, as taxas de cartões podem ultrapassar 400% ao ano, refletindo a alta taxa de inadimplência no país.
Um case recente bem comentando nos últimos anos é o da Nubank.
No início, o banco digital oferecia crédito de forma mais flexível, mas percebeu que a inadimplência subiu.
Em 2022, ajustou seus critérios e reduziu o limite de crédito para clientes de maior risco, melhorando seus resultados financeiros.
A matemática funciona!
COMO USAR ISSO TUDO A MEU FAVOR?
A boa notícia é que o score de crédito não é fixo.
Pequenas atitudes fazem diferença:
1. Pagar contas em dia aumenta sua pontuação.
2. Usar crédito regularmente e pagar em dia ajuda o sistema a entender que você é confiável.
3. Evitar dívidas excessivas reduz o risco percebido.
Os bancos usam números para prever o comportamento humano.
Mas se você souber jogar o jogo, pode fazer a equação trabalhar a seu favor.
Mas…
Antes de assumir uma dívida, pense bem.
No Brasil, as taxas de juros podem ser abusivas, transformando um pequeno empréstimo em uma bola de neve.
Muitas pessoas entram em ciclos viciosos, pegando um novo crédito para cobrir o antigo, e acabam pagando muito mais do que o valor original.
Se precisar de um empréstimo, faça as contas.
Veja se as parcelas cabem no seu orçamento e, sempre que possível, tente construir uma reserva antes de recorrer ao crédito.
Dívida não precisa ser inimiga, mas mal planejada pode se tornar um grande problema.
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